Bah, tchê!

Apesar do frio, do separatismo e do Carpeggiani, eu bem que gosto do Rio Grande do Sul. Conheci bem pouco, é verdade… Carlos Barbosa, Caxias, Farroupilha e Bento Gonçalves (ou Garibaldi, sei lá. Sei que é o nome de algum herói local). Mas gostei bem do Sul.

 ***

A primeira vez que fui pra lá foi no ano passado, pra conhecer minha irmãzinha recém-nascida. Confesso que a minha imagem do Rio Grande do Sul era péssima, e em vários pontos ainda é. Primeiro por causa do futebol. Eu odeio o chororô do Internacional, do Fernando Carvalho e do baile todo. Também fico louca quando os gremistas cantam “Vou torcer pro grêmio bebendo vinho”. Vinho? Sério? Na torcida? No estádio? Ou daí a torcida não vai pro estádio? Pode, Arnaldo?

Além disso, não suporto a torcida separatista (e o Separatismo como um todo), o hino do Rio Grande do Sul, as bandeirinhas do estado nos vidros do carro. Por acaso alguém de outro lugar sabe o hino do seu estado?

Vi em um TCC que os museus do Rio Grande do Sul dividiam ( não sei se ainda dividem) suas obras em “Arte Internacional”, “Arte Nacional” e “Arte Gaúcha”. Há uma artista, Regina Silveira, que resolveu deixar o Rio Grande, e depois de um tempo conseguiu que um de seus quadros integrasse um museu. Eis que surge um impasse: os organizadores da exposição não sabiam se os quadros da pintora ficariam em “Arte Nacional” ou “Arte Gaúcha”. Por fim, colocaram-nos na divisa das duas seções. Faz sentido uma coisa dessas?

Aliás, essa reação a quem nasce no estado e o deixa recebe o nome de “Síndrome de Elis Regina”. A cantora, por ter “abandonado” o estado, nunca mais teve a mesma recepção em sua terra natal. E mexeu com a Xuxa Elis, mexeu comigo.

Vamos combinar que se lá fosse tão “u-hu-descobri-o-melhor-lugar-ever”, a Elis não tinha saído do estado. E nem o queridão do Garibaldi, que voltou para a Itália. E, pra piorar, quem continuou no Rio Grande do Sul foi o Humberto Gessinger, que é chato pra porra.

E pra piorar mais um pouco, tem o Renato Gaúcho e o Ronaldinho Gaúcho, duas pragas que saíram do Sul e levaram o nome do estado pro mundo.

E pra piorar de vez, vêm as histórias exageradas do meu pai. Segundo ele, por ser de São Paulo era destratado. Foi expulso de um hotel, não conseguia comprar cigarros em vários bares (por isso só frequentava um) e tinha de pagar mais caro pelos produtos, já que os comerciantes aumentavam o preço quando percebiam que ele é paulista.

A pata aqui acreditou, e quando fui pro RS pela primeira vez até pensei em forjar um sotaque de mineiro. Quem me conhece sabe que essa foi uma ideia de merda, porque eu tenho talento zero para imitações, sotaques e qualquer coisa do tipo. O “Ronaldo”, por exemplo – demorou um século pra entenderem que eu estava imitando o Zina e não chamando alguém. Vai ver que é por isso que eu continuo falando “Ronaldo”, mesmo a moda tendo passado.

Enfim, cheguei morrendo de medo dos gaúchos e procurei ficar bem quietinha (quem me conhece também sabe que isso é uma missão fadada ao fracasso). Fui muito bem tratada, nunca ninguém me discriminou por ser paulista. Daí fui lembrar como o meu pai é briguento, chiliquento e acha que está certo em qualquer discussão, mesmo quando sabe que está errado e discute apenas para ser do contra.

Resultado: comecei a gostar do Rio Grande do Sul. Os gaúchos me deram churrasco, vinho, cerveja e chocolate! Me deixaram ver um Corinthians X Palmeiras na Band, em vez de assistirem ao jogo do Inter. Me levaram pra feiras de malhas. Me mostraram uma fonte de vinho em frente a prefeitura de Bento Gonçalves (daí entendi que é possível torcer pro Grêmio bebendo vinho sem ser blasé).Por fim, me deram uma irmãzinha queridíssima que, além de mim, tem outras duas irmãzinhas lindas que acabaram virando minhas irmãs também. E, o melhor de tudo, tirando a minha irmã de sangue, que está com oito meses, as outras duas já disseram que são corinthianas! Aí sim, fomos surpreendidos novamente.

Giovana

***

Em tempo: um lugar onde tem festa do vinho e da champagne só pode ser bom. Mas se os gaúchos quiserem a Independência eu apoio; assim posso passar no Free Shop sempre que for pra lá.

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