Happy birthday to…?

Aniversário, teoricamente, é a SUA data. Teoricamente, porque esse não é o meu caso. Nasci no dia 30 de dezembro, um dia antes da festa de Ano Novo. Uma merda, basicamente. Além de fazer a coitada da minha mãe passar o Reveillon de 1987 na Maternidade (o que, sejamos sinceros, é um castigo por me conceber em pleno dia 30), a frase que mais escuto no meu aniversário é:

– Parabéns! Onde você vai passar o Ano Novo?

A verdade é que meu Ano Novo tem duas direções:

1) Minha família em São João del Rei.

2) Minha sogra e toda sua preocupação com o Ano Novo.

Verdade seja dita: por incrível que pareça (e por eu ser uma nora memorável), minha sogra é ótima para aniversários. Uma vez até encomendou um bolo de chocolate pra mim. DE CHOCOLATE! (com morangos, pra fazer inveja).

Ok, o texto não é sobre minha sogra. Talvez seja sobre o meu padrão de achar que um baita aniversário seja sinônimo de bolo de chocolate.

***

Acho que esse é um trauma que levo. Desde o jardim da infância, tava todo mundo de férias no meu aniversário. Tinha menininho que levava a tchurma pro Mc Donalds, menininha que fazia festinha no Buffet, e eu sempre em Minas, comendo lasanha no meu aniversário e descobrindo os planos da minha família pro Ano Novo.

Em 2000, meus pais resolveram inovar e comemorar meu aniversário no dia 31 de dezembro, junto com o Reveillon. Foi num ‘sítio’ (mais pra uma roça). Eu me lembro bem – ganhei exatos DOIS presentes (uma blusa branca e um creme pro corpo  – eu tinha 12 anos!). Acabou a luz, ninguém se importava com minha caixa linda de bolo a não ser eu mesma e minhas duas amigas convidadas.

O sucesso do meu Ano Novo/ Aniversário acabou com a descoberta de que sapos não se desfazem com um punhado de sal e minha mãe gritando pra eu dormir. Essa é a imagem que levo de aniversários, tanto que, desde que eu mesma decidi  minhas comemorações, o cenário não mudou muito:

1) Em 2008, eu comemorei no “Cantinho da Canja”, em São João del Rei. O lugar era muito tosco, mas a cerveja era barata. Achei espetacular até descobrir que um amigo meu teve notícias de rato no local. Aliás, mais de um amigo meu. Quem me conhece, sabe que eu piso em baratas, cuspo ao mesmo tempo e coço meu inexistente saco, mas que travo e choro só de ver um rato (trauma de infância, assunto pra um outro post). O foda foi que até os ratos eram melhores que alguns convidados. Um sujeito praticante assumido de RPG amigo de um amigo meu resolveu aparecer e perguntar pra todos os convidados que animal eles seriam. Como ninguém respondeu, ele deu cinco minutos pra todos pensarem e voltou a perguntar. Todo mundo falou que seria ou um cachorro ou um passarinho e, evidentemente, ninguém perguntou que animal ele seria (todo mundo já sabia que era uma anta). Mas o paquitão resolveu falar mesmo assim que seria um leão. Sério, se eu quisesse responder isso, ia até o programa do Sílvio Santos e tirava pelo menos 100 reais.

Também tinha o irmão desse sujeito, que resolveu contar suas viagens e dizer que o tio dele era um poeta, que fez um poema assim (se alguém tiver enjoado, pare aqui):

– Soprei, soprei, soprei

Minha boneca inflável.

Também disse que que viajou pro Sul do país e fez uma escala no Tietê – colega, fica a dica: no Tietê o máximo que a gente faz é farofada. Escala é pra aeroporto, não pra rodoviária.

Achei o caos e quis mandar todos à merda, mas um anfitrião, mesmo no Cantinho da Canja, não pode fazer isso. Resolvi ir embora.

2) Ano passado trabalhei até o dia 30 de dezembro e ‘comemorei’ meu aniversário aqui em São Paulo. A indicação do lugar era a seguinte:

“Vira tal rua. Tá vendo um bar lindo, com janelas gigantes? Então, é o próximo. Isso, o do toldo vermelho”. As cadeiras eram ruins, os enfeites de Natal estilo Pernambucanas. Meus amigos foram embora cedo, menos uns quatro deles, que ficaram o resto da noite discutindo a diferença entre vergonha e ressaca moral enquanto eu dormia de bêbada. (No outro dia, fiquei em dúvida se tive vergonha ou ressaca moral).

***

Meu plano de vida é comemorar meu aniversário num barzinho, com pessoas legais convidadas por mim (que não me perguntem que animal eu seria – pra isso tem o Facebook). Pensando em todos os compromissos, acho que no dia 6 de março rola, a menos que seja Carnaval… Quem se habilita?

PS: Dica – se alguém perguntar que animal você seria, quem é seu super-herói favorito, se você é um lápis HB ou uma lapiseira Pentel, pra todas essas perguntas existe a mesma resposta: sua mãe!
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2 Respostas para “Happy birthday to…?

  1. Se for esperar até 6 de março, pode esperar mais dois dias e comem0rar comigo? =]

    Oh, meu aniversário é no dia da mulher e isso me traz problemas também:
    – nunca recebo só ‘parabéns, Fê!’ (sempre tem um ‘e parabéns pelo dia da mulher tambééém, né?’ – legal, bonitinho e nada criativo!);
    – as pessoas curtem me mandar flores (justo eu, que odeio flores!);
    – meus pais (e minha tia comuna) me faziam contar aquela historinha do 8 de março até de trás pra frente, pra ser a menina que falava bonitinho na roda de amigos;
    – as professoras me pediam pra contar sobre a importância do ‘meu dia’ na frente de todo mundo;
    – na faculdade, querem sempre me levar pra passeata (gente, alô, meu aniversário, poxa!);
    – os imbecis, durante a adolescência, diziam que eu era ‘estranha’ por ter nascido nesse dia… como se eles entendessem o que era esse dia, né não?

    Enfim… aniversários, por que tê-los? Só servem pra lembrar que estamos ‘ganhando experiência de vida’! Proponho abolir essas datas!

  2. Hahaha! Li inteiro e amei! Fiquei rindo aqui durante o texto todo. Você é um achado, Débora! Ainda bem que te conheci na casa do Bruneca.

    Boa sorte nos planos de aniversário! Abração!

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